terça-feira, 6 de novembro de 2012

 
 
A MINHA VISITA
 


Hoje a tristeza bateu-me à porta.
Daquelas visitas inesperadas. Não me apeteceu abrir e fiz de conta que ninguém batia.
Mas ela persistente insistiu, insistiu e levou a dela avante.
Não a convidei a sentar com o pretexto que ia sair.
De nada me valeu. Veio para ficar.
Uma hóspede com bagagem para vários dias.
E um hóspede absorvente. Colou-se de tal maneira a mim que me acompanha para onde quer que eu vá.
Já não sei que fazer.
Tenho que aguentar estes dias e desejar que estes não se transformem em eternidade.
Tenho medo. Medo de me afeiçoar e ser eu quem não queira que ela vá embora.
No fundo sinto que me faz companhia.
Curiosamente em frente dela não consigo chorar.
A sua companhia torna-me resistente à dor exteriormente.
Não me deixa comover com facilidade e a catarse da alma estagnou.
Sinto que parte de mim morreu com a sua chegada.
Sinto-me num luto dorido mas sem uma lágrima corrida.
Já nem me sinto.
Cristina Vaz

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