domingo, 14 de outubro de 2012

    METAMORFOSE





E foi como veio
De repente
Tudo aconteceu
As tuas asas
As tuas asas de borboleta
Desapareceram
A sua cor
O seu brilho...
Olhei-te
E vi apenas um casulo.
E foi assim
Que o meu principezinho
Desvaneceu
Olhei-te
e vi apenas um sapinho
Frio e escorregadio
Lamacento
Eras apenas tu.
E foi assim
Que percebi que a minha estrela
Aquela que me iluminava
Que me encantava
Não passava da luz
Ofusca e hibrida
De um velho candeeiro.
Percebi então que a paixão
Tolda a nossa razão.
Tolda a nossa visão.
E ilude o nosso coração.
Com ela vemos apenas o que queremos ver.
Não o que na verdade é.
Ilusóriamente
Achamos que se deu a metamorfose
Mas na verdade só nós a vemos.
Tudo permanece no seu estado selvagem.
Embrionário
Rude e grotesco.
Fomos nós que o embelezamos
Na verdade
Só na nossa Alma
A metamorfose aconteceu.
Cristina Vaz.

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