O MEU LIVRO
Desde menina e moça que escrevo.
As palavras sempre se formaram na minha mente
Em forma de pensamento
E desde cedo que sinto necessidade
De as libertar de mim.
Uma catarse que não prescindo
Para exorcizar talvez aquilo que me apoquenta.
No fundo o livro da minha vida
Sempre existiu
Gradualmente
Cresce comigo
Ele e eu somos unos
Pois ele sou eu.
De inicio escrevia e destruia.
A nudez da minha escrita adolescente
Feria.
Embaraçava.
Estava exposta em demasia.
Transparente, nua e crua.
Com o passar dos anos
A vida ensinou-me um conceito novo.
A subtileza na sua prática
Que apliquei nas palavras
Na vertente teórica.
Percebi que o meu livro
Teria que ser escrito assim
De forma subtil
Podendo ser uma arma
Ou uma defesa.
Deste modo
Continuo transparente
mas agora não visivelmente desnuda.
Só quem tiver paciência
E me gostar verdadeiramente
Perceberá que estou lá
Sempre
Em cada nota que aqui vos deixo
Apenas ao alcance de alguns
Àqueles que me encontrarem nas entrelinhas.
E nesse dia
Esses leitores àvidos e atentos
Ter-me-ao desnudado.
E terão percebido
Que o livro da minha vida...
Sou apenas eu
Nua e crua.
Cristina Vaz

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