VERMELHOS
Conheci uma senhora que me marcou por ser uma pessoa fria.
Fria da cor do gelo.
Parecia que nada a abalaria.
Que não sofria.
Que não sentia.
Só tinha uma preocupação que a inquietaria
A sua figura.
Os seus lábios vermelhos.
De um vermelho intenso
Contrastando com o incolor da sua vida.
Com a ausência de vermelho do seu coração.
Todos os dias mal acordava
Os seus lábios pintava.
Passava o dia nisto.
Dia após dia.
Batôn atrás de batôn.
Podia o mundo acabar
Mas os lábios tinha que pintar.
O tempo passou.
Enviuvou...
Sozinha ficou.
Na verdade acho que nunca amou.
Foi ficando sozinha
Tendo o batôn por única companhia.
Um dia fui visita-la.
Parecia desfigurada.
Sem cor.
Cinzenta.
Agora ainda mais fria.
Tinha decidido deixar de viver.
Já mais nada importava.
Percebi isso mal a vi.
Os lábios?
Já não os pintava
Estavam como sempre foram
Sem cor
Frios.
Vazios....
Como toda a sua vida.
Cristina Vaz

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