sábado, 27 de outubro de 2012

 
 
TRANSPARÊNCIAS
 



Gosto da analogia entre mim e uma luz de presença.
Daquelas luzes suaves
Cuja finalidade é essa.
Estarem presentes.
Daquelas luzes que à primeira vista
e à luz do dia
permanecem quase que transparentes
Imperceptivéis a um olhar menos atento.
Deste modo consigo observar-te
Sem que tu me vejas
No meio de uma multidão desenfreada
Sem te ofuscar
Sem que repares sequer em mim.
Daqui consigo observar todos
que por mim passam
E como passa gente
Apressada
Numa correria
Sem tempo a perder.
Nem reparam que aqui estou.
Luz de presença.
Pequenina.
Se um dia precisares de mim
Deixarei de ser transparente aos teus olhos
E nesse dia irás perceber
Que sempre aqui estive
Apenas não me vias.
Cristina Vaz

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